Xen leva virtualização para nuvem

Paravirtualização é uma técnica de virtualização que provê uma interface de software para as máquinas virtuais e pode ser entendida como uma camada de hardware (abstração pesada). O Xen, um dos principais softwares que utilizam esta técnica conquistou lugar cativo entre os linuxistas brasileiros. Marco Sinhoreli e seu amigo Liberie Cunha Neto criaram há algum tempo um grupo de usuários chamado Xen-BR. Veja a entrevista completa com o Marco.

Há quanto tempo você trabalha com virtualização?

Trabalho com virtualização desde 2005, época em que o Xen foi liberado para a comunidade. Nesse período buscava uma alternativa ao VMware, que não apresentava desempenho de acordo com minha demanda. Com o Xen e a paravirtualização, consegui rodar cerca de 60 máquinas virtuais, com 32MB de RAM cada, num servidor com 2 GB de RAM. Foi um grande feito, tendo em vista que o VMware tinha perda de desempenho, principalmente pelo fato de fazer emulação de hardware. O Xen com a paravirtualização realmente revolucionou o mercado de virtualização, algo que depois seus concorrentes acabaram por adotar devido à qualidade da abordagem.

Como foi a ideia de criar o grupo de usuários xen-br, em conjunto com o Liberie Cunha Neto?

A ideia nasceu numa conversa pelo IRC. Percebemos o potencial para a comunidade brasileira e começamos. Criamos a lista xen-br, um wiki que é mantido até hoje e passamos a convidar os amigos para participar.

Quantos membros ativos tem a lista de discussão hoje?

Temos atualmente quase 500 membros inscritos. Na maior parte, eles são administradores de sistema e tomadores de decisão na área de TI.

Como está a relação da comunidade Xen com a Citrix?

A Citrix está entrando na onda do open source, tanto que hoje contribui diretamente com o código do Xen Hypervisor. É sem dúvida um apoio e tanto para o Xen. Mas é óbvio que ninguém faz uma aquisição de 500 milhões de dólares como doação. A Citrix tem um extenso ecossistema de produtos inovadores que utilizam o hypervisor. Recentemente, vimos mais um movimento quando a Citrix abriu por completo o código do XenServer, criando assim um novo produto, o XCP (Xen Cloud Platform), direcionado para a computação em nuvem.

Você acha que a complexidade de operar o Xen, há alguns anos, afastou parte dos linuxistas?

Não acredito nisso. Os linuxistas têm como desafio justamente a complexidade. No intuito de aproximar aqueles que acham a complexidade um obstáculo, o XCP realmente é uma mão na roda. Praticamente você pode fazer tudo com ele com alguns cliques do mouse numa interface gráfica. A evolução do software torna as coisas mais fáceis.
Quais os ganhos da versão Xen 4.0, anunciada recentemente?

Algum tempo atrás, olhando a trajetória do Xen, eu dizia para alguns amigos que o Xen 4.0 seria o estado da arte em virtualização. E de fato o é. Conseguimos coisas incríveis e inovadoras com o Xen 4.0. A possibilidade de compartilhar a mesma página de memória para diversas máquinas virtuais, criar uma infraestrutura de failover, redimensionar discos virtuais a quente, possibilitar o hotplug de memória e CPU e diversos ganhos em termos de desempenho, tudo isso sem dúvida consolida a posição da virtualização do Xen diante dos concorrentes.

Há algum recurso esperado pela comunidade e não implementado no Xen 4.0?

Difícil dizer. Sinceramente, o que o mercado deseja é criar uma infraestrutura que torne possível a criação de nuvens. O XCP cumpre este papel. Entenda que o XCP utiliza o Xen Hypervisor como componente para promover a virtualização.

Para o mercado existem três formas de virtualização: Infraestrutura (IaaS), Plataforma(PaaS) e Serviço(SaaS). Você acredita na confiabilidade do modelo IaaS?

Isso realmente é relativo. Um IaaS depende de diversos fatores e, devido ao nível de complexidade, as chances de falhas são maiores se o projeto não for bem construído. Um IaaS deve contemplar a integração dos diversos componentes do Datacenter e isso muitas vezes não é algo fácil de alcançar.

Para quem quer aprender a utilizar o Xen, o que você recomenda como ponto de partida?

Inscreva-se na lista, leia bastante, temos muitos materiais no wiki. Também é fácil encontrar material em português por aí. Entenda os conceitos que envolvem a virtualização. Trate uma máquina virtual como se fosse um recurso físico, fica muito mais fácil conviver com elas assim.

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